Em Guerra Santa você irá encontrar incontáveis personagens com os quais certamente se identificará mais de uma vez. Nesta alegoria arrebatadora, pode-se constatar o empenho de Shaddai (Deus), por meio de Seu Filho Emanuel (Jesus), em trazer a remissão e transformação à Alma Humana perdida, como forma de demonstrar o Seu infinito amor por Sua criatura singular (o homem). A partir dessas verdades bíblicas, a história da salvação é explicada com maestria pelo autor. Esta obra é um verdadeiro curso de doutrinas cristãs que usa um método particularmente envolvente para transmiti-la.

Essas e muitas outras belíssimas ilustrações foram elaboradas especialmente para essa versão de Publicações Pão Diário, assim, a história fica ainda mais viva e emocionante. Leia a descrição de John Bunyan sobre o livro e conheça alguns personagens!

Guerra Santa

Estranha-me que os amantes dos antigos relatos,

Aqueles que em muito ultrapassam seus correlatos,

Nos grandes registros históricos,

Não mencionem de Alma Humana os conflitos,

E que os tratem como fábulas ou vanidades,

Que ao leitor não trazem prosperidade.

Quando os homens, façam eles o que quiserem,

Até que disso saibam, desconhecidos a si mesmos permanecem.

Bem sei que de histórias há diversos tipos:

As estrangeiras, as domésticas e os mitos.

Tantos quantos a imaginação puder guiar os autores.

(Pelos livros, pode-se especular sobre seus compositores.)

Alguns do que nunca existiu de boa vontade falarão,

E nunca existirá, falsificando (e isso sem razão)

Muitas questões, erguendo montanhas, coisas inúteis

Sobre os homens, as leis, os países e os reis.

Em suas histórias, eles tão sábios parecem

E, cada página, com tal gravidade enobrecem,

Que, embora seu frontispício diga ser tudo em vão,

De discípulos eles fazem uma multidão.

Contudo, leitores, tenho algo diferente a fazer,

Do que com vãs histórias os aborrecer.

Daquilo que aqui falo, alguns sabem bem,

Pois, com lágrimas e satisfação, esta história contam também.

A cidade de Alma Humana é por muitos conhecida,

E suas provações não passam despercebidas

Por quem com essas histórias está familiarizado,

E que a cidade e suas guerras tem analisado.

Assim, ao que lhes falarei, inclinem o ouvido

Sobre Alma Humana e o que ela tem vivido.

Como se perdeu, foi levada cativa e feita escrava,

E como se rebelou contra o Único que a salvava.

Sim, como em hostilidade ela ao seu Senhor contestou,

E como com o seu inimigo um acordo fechou.

Tudo isso é verdadeiro, e aquele que o negar

Precisará os melhores registros vilipendiar.

De minha parte, eu mesmo estava na cidade

Quando foi cercada e levada para a perversidade.

Vi-a por Diabolus ser possuída,

E sob sua opressão ser trazida.

Sim, eu a vi declará-lo seu senhor

E a ele se submeter sem temor,

Quando sobre as coisas divinas ela pisoteou,

E como porca que volta à lama chafurdou.

Como, depois, lançou mão de seus armamentos,

Combateu Emanuel e desprezou Seus ensinamentos.

Eu estava lá e regozijei-me em ver

Diabolus e Alma Humana assim aquiescer.

Que ninguém de criador de fábulas me chame,

Nem me contem ou me creditem entre essa classe infame.

De meu próprio conhecimento, ouso declarar verdadeiro

O escárnio, que nestas páginas nomeio.

Vi os soldados do Príncipe virem com agilidade,

Em tropas, aos milhares, para sitiarem a cidade.

Vi os capitães, ouvi as trombetas soarem,

E com seus exércitos os arredores ocuparem.

Como eles se formaram para guerrear,

Jamais esquecerei, até minha vida findar.

Guerra Santa

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