O reajuste pela redenção

1. Encarnação: o Verbo se fez carne


E o Verbo se fez carne e habitou entre nós… (JOÃO 1:14)
A palavra Trindade não é uma palavra bíblica. Nas Escrituras, repetidamente, o Deus triúno é revelado, de modo que a ideia de Trindade transmitida é perfeitamente bíblica. As seguintes distinções existiram desde toda a eternidade: a Essência da divindade (esse), habitualmente conhecida como Deus Pai; a Existência da divindade (existere), frequentemente conhecida como Deus Filho; o Procedimento da divindade (procedere), comumente conhecido como Deus Espírito Santo.


Algo contra o qual temos de nos proteger é o ensino de que Deus se encarnou para se realizar; essa é uma declaração antibíblica. Ele era autossuficiente antes de o Filho se tornar humano. O que é conhecido como Nova Teologia surge desse erro fundamental — que Deus teve de criar algo para realizar-se; em seguida, somos informados de que somos essenciais para a existência de Deus — de que, sem nós, Deus não existe. Se começamos com essa teoria, tudo que se chama Nova Teologia segue facilmente. A Bíblia nada tem a ver com tais concepções.


A Criação e a Encarnação são as emanações da transbordante vida da divindade. Outro aspecto da Nova Teologia é que Deus é tudo; a Bíblia revela que Deus não é tudo. A Bíblia afirma claramente que o nosso universo é pluralista, não monista; isso significa que há outras forças em ação além de Deus, que são a humanidade e o diabo. Esses não são Deus e nunca serão. A humanidade deve voltar para Deus e estar em harmonia com Ele, por meio de Jesus Cristo; o diabo estará em eterna inimizade com Deus.


Em Filipenses 2:6, a “forma” de Deus é mencionada. Qual é a forma de Deus? No capítulo 2, descobrimos que as pessoas raciocinaram que, devido ao ser humano haver sido feito à imagem de Deus, Ele tem um corpo. Afirmamos que isso não significava que Deus tenha uma forma corpórea e que, sempre que membros do corpo são mencionados em relação a Deus, a referência é à Encarnação. A divindade tinha uma forma originalmente, e essa forma é melhor representada pelo termo glória.


A Bíblia revela que a divindade era absolutamente autossuficiente. Deus não precisava estar encarnado para se autorrealizar, nem a criação era necessária para capacitar Deus a ser consciente de si. Jesus Cristo não é um ser metade Deus e metade humano. Quando George Eliot traduziu [para o inglês] o livro Vida de Jesus, de David Strauss, essa impossibilidade [Deus-homem] para a razão humana se apresentou à sua mente e foi nesse sentido que naufragou a sua fé.


a) A autoentrega da Trindade


A Bíblia revela que Jesus Cristo é Deus-homem, isto é, Deus Encarnado, a divindade existente em carne e sangue. A Encarnação faz parte da autoentrega da Trindade. Veja esta declaração a respeito: “…e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (JOÃO 17:5). Jesus Cristo não foi um Ser que se tornou divino; Ele era a divindade encarnada, a Palavra tornada fraca. Jesus Cristo alude enfaticamente às Suas próprias limitações e Paulo diz que o Senhor “se esvaziou”, ou seja, da forma de Deus, “…assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens…” (FILIPENSES 2:7).
Em Marcos 13:32, vemos outra indicação das limitações do nosso Senhor: “Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai”. Estou ciente do perigo de tentar esboçar a autoconsciência de Jesus; não somos capazes de fazer isso. Temos de nos lembrar do que as Escrituras dizem a respeito dele: que Jesus era a divindade encarnada e se esvaziou de Sua glória ao tornar-se encarnado. Na redenção, não era Deus Filho pagando um preço a Deus Pai: era Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo entregando esse Ser maravilhoso, o Senhor Jesus Cristo, para um propósito definido. Jamais separe a encarnação da expiação. A encarnação aconteceu por causa da expiação. Ao tratar da encarnação, estamos lidando com um fato revelador, não com uma especulação.


Encontramos, na epístola aos Hebreus, outra alusão às limitações de Jesus por meio de Sua encarnação. Dizer que Jesus Cristo não poderia ser tentado contradiz terminantemente a Palavra de Deus: “…antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (HEBREUS 4:15).


b) A autossuficiência da Trindade


“Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (MATEUS 11:27). Jesus diz, de fato: “Eu sou o único meio para revelar o Pai; vocês não podem conhecer o Pai por meio da natureza, do amor dos seus amigos ou de qualquer outra maneira senão por meu intermédio”.
Some ao versículo acima estas palavras do nosso Senhor: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. […] Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (JOÃO 14:6,9). Aqui Ele faz a mesma declaração. Ninguém sabe coisa alguma acerca do Pai a menos que aceite a revelação que Jesus faz dele. Essas afirmações são repetidas várias vezes. Se examinarmos atentamente os ensinamentos de nosso Senhor, descobriremos que Ele faz com que o destino do homem dependa do seu relacionamento com o Pai.


c) A autossuficiência da Trindade


Lido à luz da encarnação, Provérbios 8:22-32 é surpreendente. A palavra usada por Salomão para “sabedoria” é equivalente à palavra logos, usada em João 1; ela significa a Palavra de Deus expressando o Seu pensamento. A Trindade era autossuficiente; a encarnação não aconteceu para a realização de Deus, e sim para atender outra finalidade totalmente diferente. O pensamento é exatamente o oposto: em vez de as pessoas serem necessárias para complementar Deus, a fim de que Ele se realizasse, a encarnação foi para que as pessoas pudessem compreender Deus e se ajustar a Ele. Todo o propósito da encarnação é a redenção; isto é: superar os desastres da queda e produzir um ser mais nobre do que o Adão original. No ápice de tudo, o Filho retoma a Sua posição original na Trindade; o Filho entrega tudo ao Pai, e a Trindade se resolve novamente assim, nessa Deidade autossuficiente absoluta (VEJA 1 CORÍNTIOS 15:28).

 

2. Identificação: o Filho tornado pecado


Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus (2 CORÍNTIOS 5:20-21).


Esses versículos revelam a razão de Deus encarnar, o porquê do Verbo tornar-se enfraquecido, o motivo de o Logos se tornar possuidor de uma estrutura humana debilitada: para que o Filho pudesse ser identificado com o pecado. A revelação não é que Jesus Cristo foi punido por nossos pecados; esse é um aspecto um pouco menor. A afirmação contida no versículo 21 é surpreendente: Ele foi feito pecado por nós. Jesus Cristo identificou-se não apenas com a inclinação ao pecado, mas com o próprio corpo do pecado. Aquele que não tinha pecado, nenhuma ligação em si mesmo com o corpo do pecado, tornou-se identificado com o pecado; Deus fez Aquele que não conhecia o pecado ser pecado (2 CORÍNTIOS 5:21).


Dificilmente a linguagem pode suportar a pressão aplicada a ela; mesmo assim, pode transmitir o pensamento de que Jesus Cristo passou diretamente pela identificação com o pecado para que todo homem e mulher, na Terra, pudesse ser liberto do pecado por meio da expiação. Ele passou pelas profundezas da condenação, pelos maiores abismos da morte e do inferno, e saiu mais do que vencedor. Consequentemente, toda e qualquer pessoa que deseje ser identificada com Jesus Cristo descobrirá que está livre da inclinação do pecado, liberta da ligação com o corpo do pecado, e que também pode sair mais do que vencedora pelo que Ele fez.


a) O dia de Sua morte


[Jesus] ensinava os seus discípulos e lhes dizia: O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e o matarão; mas, três dias depois da sua morte, ressuscitará (MARCOS 9:31 VEJA TAMBÉM MATEUS 16:21; ROMANOS 6:3).


Aqui, dia significa o período coberto pela vida de nosso Senhor na Terra. Por que Ele nasceu como um bebê e em tais condições que os impérios mais poderosos do mundo simplesmente não foram capazes de detectar a Sua existência? Por que Ele viveu aqueles 30 anos em Nazaré e depois três anos de popularidade, escândalo e ódio; e por que Ele disse que veio com o propósito de entregar a Sua vida? O nosso Senhor jamais apresentou Sua morte como a de um mártir. Ele disse: “Tenho autoridade para a entregar [minha vida] e também para reavê-la” (JOÃO 10:18). Ele entregou a Sua vida pelo grandioso propósito que havia por trás, na mente de Deus.


A única maneira de conseguirmos explicar Jesus Cristo é a maneira como Ele se explica — e Ele nunca se explica. Por que Jesus Cristo viveu e morreu? As Escrituras revelam que Ele viveu, morreu e ressuscitou para que pudéssemos ser reajustados à divindade — para que pudéssemos ser libertos do pecado e levados de volta ao benevolente relacionamento com Deus.


Se ensinarmos que Jesus Cristo não é capaz libertar do pecado, terminaremos em nada menos do que blasfêmia. Apresente essa linha de pensamento diante do Senhor, diga-lhe que a expiação dele não é capaz de nos livrar do pecado, podendo apenas nos dar uma expectativa divina, e logo o perigo e a falta de embasamento bíblico surgirão disso.


A Bíblia revela que Jesus Cristo se identificou com o pecado “…para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 CORÍNTIOS 5:21). O perdão é algo tremendo por nossa perspectiva, mas não é todo o significado experimental da expiação por nós. Nós podemos nos tornar assim identificados com Jesus Cristo até sabermos que “…foi crucificado com ele o nosso velho homem” (ROMANOS 6:6), isto é: que a nossa ligação com o corpo do pecado foi cortada e podemos nos tornar “nele, […] justiça de Deus” (2 CORÍNTIOS 5:21). Isso significa que estamos reajustados a Deus e livres para cumprir todos os Seus mandamentos.


b) O dia de Sua ressurreição


“Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição” (ROMANOS 6:5; VEJA TAMBÉM FILIPENSES 3:10). Por Sua ressurreição, Jesus Cristo tem o poder de nos transmitir o Espírito Santo, o que significa uma vida totalmente nova. O Espírito Santo é a Deidade com o poder subsequente que aplica à nossa experiência a expiação do Filho de Deus. Jesus Cristo deu toda a ênfase à vinda do Espírito Santo: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade” (JOÃO 16:13), e Ele “…vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (JOÃO 14:26). Ele não apenas estará com você, mas “estará em você”.


Ouvimos, aqui e ali, que esta é a era do Espírito Santo. Graças a Deus por ser, pois o Espírito Santo está com todos os homens e mulheres que creem e confessam Jesus como salvador, para que possam recebê-lo. Assim como Deus, o Pai, foi rejeitado e desprezado na dispensação do Antigo Testamento, e Jesus Cristo, o Filho, foi desdenhado e rejeitado na Sua dispensação, assim também Deus Espírito Santo é menosprezado (assim como lisonjeado) nesta dispensação. Ele não recebe o Seu direito. Nós o louvamos e dizemos que confiamos no Seu poder, mas a questão de receber o Espírito Santo para que Ele torne real em nós tudo que Jesus Cristo fez por nós é uma experiência rara.


Assim que adentrar como vida e luz, o Espírito Santo percorrerá conosco todas as vias de nossa mente; a Sua luz penetrará em todo recôndito de nosso coração; Ele embutirá Sua luz em toda afeição de nossa alma e nos fará saber o que é o pecado. O Espírito Santo convence do pecado; a humanidade não. O Espírito Santo é aquele Espírito maravilhoso que manteve o nosso Senhor quando Ele estava encarnado — espírito, alma e corpo — em perfeita harmonia com a Deidade absoluta.


Ao dizer “…não tendes vida em vós mesmos” (JOÃO 6:53), Jesus significou a vida que Ele vivia; e nós não podemos ter essa vida senão por meio dele. Quem crê no Filho tem a vida eterna (VEJA JOÃO 3:16) — a vida que Jesus teve, a vida do Espírito Santo. O Espírito Santo nos levará, espírito, alma e corpo, e nos trará de volta à comunhão com Deus. Se obedecermos à luz que Ele concede, Ele nos levará à identificação com a morte de Jesus até conhecermos, por experiência, que o nosso velho homem — o meu direito a mim mesmo — está crucificado com Cristo e, agora, a nossa natureza humana está livre para obedecer aos mandamentos de Deus.
A palavra substituição nunca é usada na Bíblia, embora a ideia seja bíblica. A substituição é sempre dupla — não apenas Jesus Cristo identifica-se com o meu pecado, mas também estou tão identificado com Ele que a inclinação que o governou está em mim.


c) O dia de Sua ascensão


“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: ‘Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra’” (MATEUS 28:18; 2 CORÍNTIOS 5:16). Em Sua ascensão, o nosso Senhor se tornou Onipresente, Onisciente e Onipotente. Isso significa que, agora, Ele é Todo-poderoso para conceder sem medida, a todos os seres humanos obedientes, tudo que Ele foi nos dias de Sua carne, tudo que Ele foi capaz de transmitir no dia de Sua ressurreição. Jesus Cristo nos torna um em santidade com Ele, um em amor com Ele e, finalmente, um em glória com Ele. Ele é o supremo Soberano e tem a capacidade de dar ao Seu povo uma suprema soberania. Nos dias da nossa carne, Ele diz: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (MATEUS 28:20). Ele está conosco, em todo o poder e em toda a sabedoria, guiando, orientando, controlando e dominando. Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores, desde o dia de Sua ascensão até agora.


3. Invasão: o pecador tornado santo


Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. (GÁLATAS 2:19-20).


Por meio da identificação de Jesus Cristo com o pecado, podemos ser trazidos de volta à perfeita harmonia com Deus. Porém, Ele não tira a nossa responsabilidade: coloca sobre nós uma nova responsabilidade. Somos feitos filhos e filhas de Deus por meio da expiação de Cristo e temos uma tremenda dignidade a manter; não precisamos curvar o pescoço sob qualquer jugo, exceto o jugo do Senhor Jesus Cristo. É necessário haver em nós um santo desprezo sempre que se trata de ser comandado pelo espírito do tempo em que vivemos.


A época em que vivemos é governada pelo príncipe deste mundo, que odeia Jesus Cristo. Sua grande doutrina é a autorrealização. É necessário estarmos livres do seu domínio. Somente um jugo deve estar sobre os nossos ombros: o jugo do Senhor Jesus.


a) O novo homem


O nosso Senhor era manso para com Seu Pai. Ele permitiu que o Deus Todo-poderoso fizesse o que lhe agradasse com a Sua vida e jamais murmurou; nunca despertou autopiedade, nem usou de autocomiseração. “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (MATEUS 11:29-30).

 
Gálatas 2:20 é, de tal maneira, a expressão bíblica da nossa identificação com Jesus Cristo que toda a vida é transformada. O destino estava se tornando maravilhosamente semelhante ao destino de Satanás, ou seja, a autorrealização. Paulo agora diz: “Não mais quero o destino da autorrealização, e sim o da realização em Cristo”. (“…esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus” — Gálatas 2:20). Ou seja: a mesma fé que governava Jesus Cristo me governa hoje. Paulo não está falando de uma fé elementar em Jesus, e sim da fé que está no Filho de Deus; a mesma fé que estava em Jesus está em mim, diz ele.
b) As novas maneiras


“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (FILIPENSES 2:5). Há apenas um tipo de santidade, que é a santidade do Senhor Jesus. Há um único tipo de natureza humana, que é a natureza humana de todos nós. Jesus Cristo, por meio de Sua identificação com a nossa natureza humana, pode nos dar a inclinação que Ele tinha. Devemos cuidar para que desenvolvamos habitualmente essa inclinação por meio de nossos olhos, ouvidos e língua, por meio de todos os órgãos do nosso corpo e em todos os detalhes da nossa vida.


O apóstolo Paulo foi identificado com a morte de Jesus Cristo; toda a sua vida foi invadida por um novo espírito: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo” (1 CORÍNTIOS 12:13). E, agora, ele não tem mais qualquer ligação com o corpo do pecado, aquele corpo místico que termina com o diabo. Somos feitos parte do corpo místico de Cristo pela santificação. Usamos o termo invasão porque transmite uma ideia melhor do que qualquer outra.


A ilustração usada da videira e os ramos pelo nosso Senhor, em João 15, é a mais satisfatória, pois indica que todo fragmento da vida que está no ramo frutífero é o resultado de uma invasão do tronco que recebeu o enxerto: “Eu sou a videira, vós, os ramos…” (JOÃO 15:5). Nossa vida provém do Senhor Jesus, não apenas a fonte e o motivo da vida, mas nosso real pensar, viver e fazer. É isso que Paulo quer dizer, ao falar do novo homem em Cristo Jesus (EFÉSIOS 2:15). Após a santificação, é daí que provém a vida.


“Todas as minhas fontes são em ti” (SALMO 87:7). Perceba como Deus murchará todas as outras fontes que você tiver. Ele fará murchar as suas virtudes naturais, destruirá a confiança nos seus poderes naturais. Ele fará murchar a sua confiança na mente, no espírito e no corpo até você aprender, por experiência prática, que não tem direito de obter a sua vida de qualquer outra fonte que não seja o tremendo reservatório da vida de ressurreição de Jesus Cristo.


Agradeça a Deus se estiver passando por uma experiência de esgotamento! O nosso Senhor nunca remenda as nossas virtudes naturais; Ele renova a pessoa inteira a partir do interior, até o novo homem transparecer nas novas maneiras. Deus não dá novas condutas; nós elaboramos as nossas próprias, mas temos de fazê-las com os elementos da nova vida (EFÉSIOS 4:22-32). Todos os detalhes da nossa vida física devem estar absolutamente sob o controle da nova inclinação plantada em nós por Deus, por meio da identificação com Jesus Cristo, e nós não teremos mais permissão para murmurar “não consigo”. Não existe a expressão não consigo no vocabulário de um cristão, se ele se relaciona corretamente com Deus; existe apenas uma expressão, que é: sou capaz.


“Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (FILIPENSES 4:12-13). Observe o tipo de coisas que Paulo disse que poderia fazer. As maneiras se referem ao caráter cristão, e nós somos responsáveis por elas. Deus realiza a transformação em nosso interior agora, diz Paulo: “Realize a obra que Deus fez em seu interior”. Descobriremos, quando estivermos bem com o Senhor, que Ele usa o mecanismo de nossas circunstâncias para nos capacitar a realizá-lo.


c) A nova humanidade


Deus não quer nos satisfazer e nos glorificar; Ele deseja manifestar em nós o que o Seu Filho é capaz de fazer. “No dia em que ele vier, receberá glória de seu povo santo e louvores de todos os que creem” (2 TESSALONICENSES 1:10 NVT). A invasão da vida de Jesus Cristo nos torna filhos e filhas de Deus. Essas são coisas que os anjos desejam verificar. É como se eles nos olhassem de lá de cima e dissessem: “Veja como aquela mulher é maravilhosamente parecida com Jesus Cristo! Ela não costumava ser, mas olhe para ela agora. Nós sabemos que Jesus fez isso, mas nos perguntamos: como?”. Ou “Veja aquele homem! Ele é exatamente como o seu Senhor. Como Jesus Cristo fez isso?”. Graças a Deus por não seremos anjos! Seremos algo dez vezes melhor. Pela redenção efetuada por Jesus, virá um tempo em que nosso corpo será à imagem de Deus.

 

Trecho retirado do livro Psicologia Bíblica, de Oswald Chambers.