Em uma conversa sobre nossas personalidades históricas favoritas, perguntei a um colega de trabalho se ele conhecia Martinho Lutero. E ele me respondeu: “Ah, ele era aquele cara que pregou alguma coisa na porta?”

“Isso, esse mesmo” Eu disse rindo.

Para muitas pessoas, Martinho Lutero existe apenas em uma figura: um monge pregando as 95 teses na porta de uma igreja. Enquanto alguns historiadores acreditam que a história seja apócrifa, seu verdadeiro legado me influenciou tremendamente. 

Martinho Lutero, um alemão que viveu entre 1483 e 1546, foi uma figura-chave da Reforma Protestante, quando os Protestantes — assim chamados por seus protestos contra os ensinos católicos — se separaram da Igreja Católica. O envolvimento de Lutero foi moldado por seu testemunho pessoal ao receber a graça de Deus e superou suas dúvidas a respeito da sua salvação. 

Deus usou Lutero para restaurar a compreensão bíblica da salvação. Por eu ter lutado com a minha própria culpa e autocondenação, a história de Lutero mexeu comigo à medida que mostrou que Deus pode usar as batalhas interiores de alguém para atraí-lo a Ele e equipá-lo para mudar o mundo. 

Neste ano, no dia 31 de outubro, honramos o aniversário de 505 anos das 95 teses de Lutero. Aqui estão as cinco razões fundamentais do porquê seu testemunho, crenças e posição contra a teologia e práticas de seus dias ainda são importantes hoje. 

Por volta de 1500, a Igreja Católica ensinava que a salvação vinha pela fé, obras e graça, e que aqueles que se arrependessem de seus pecados antes da morte seriam punidos por seus pecados no purgatório antes de poderem ir para o céu.

Uma prática muito controversa era a venda de indulgências, créditos que supostamente reduziriam o tempo no purgatório tanto para os vivos quanto para os mortos. Isso permitiu que a corrupção florescesse. Um frade chegou a anunciar com o ditado popular: “Assim que a moeda no cofre toca, a alma do Purgatório brota” (Estep, 1986).

Lutero passou anos temendo não ser santo o suficiente para merecer o favor de Deus, e só escapou dessa luta quando entendeu que a salvação era sobre a justiça de Cristo, não a sua. Sua experiência com o desespero espiritual ensinou-lhe que o bom comportamento e os rituais da igreja não poderiam remover o peso de sua culpa (Perry, 2013).

Como professor e pregador, Lutero encorajou as pessoas a se concentrarem em Cristo e estudarem as Escrituras. As coisas vieram à tona em 31 de outubro de 1517: em suas Noventa e cinco Teses, Lutero protestou contra a prática de vender indulgências e argumentou que a igreja não tinha autoridade para salvar almas. Seus escritos foram amplamente divulgados.

Lutero nos ensina que o verdadeiro evangelho liberta as almas da escravidão espiritual e também liberta as pessoas da dependência dos vigilantes da tradição. Não devemos depender de pastores, oradores ou escritores para tornar o ensino cristão disponível para nós. É importante ler a Bíblia por nós mesmos, conhecer sua verdade e estar preparado para defendê-la contra falsos ensinamentos.

Como monge, Lutero passou incontáveis ​​horas no confessionário, tentando lembrar e contar todos os seus pecados. Ele também tentou alcançar a santidade por meio de peregrinações, longas horas de jejum e oração. Mais tarde, ele disse sobre esse tempo: “Perdi o contato com Cristo, o Salvador e Consolador, e fiz dele o carcereiro e carrasco de minha pobre alma”.

Jamais esquecerei como foi aprender sobre a luta de Lutero para se sentir perdoado. Como uma jovem da igreja, me identifiquei com seu medo de que não importa o quão externamente complacente ele tentasse ser ou quão bem ele seguisse as regras, ele nunca poderia remover a mancha de culpa de sua alma. Como Lutero, eu desejava seguir a Cristo, mas temia a condenação e não tinha certeza da salvação.

O que transformou a vida de Lutero – e a minha – é o conhecimento de que somos salvos somente pela graça. No estudo das Escrituras de Lutero, ele ficou impressionado com a linguagem da justiça em livros como Romanos e Gálatas, e compreendeu que somos salvos não porque praticamos atos de justiça em união com Deus, mas pela fé na perfeita justiça de Cristo.

Lutero foi convocado pelas autoridades da igreja e instruído a se retratar sob ameaça de excomunhão. Sua resposta foi: “Não posso e não vou retratar nada, pois não é seguro nem certo ir contra a consciência. Que Deus me ajude. Amém.”

Lutero escolheu isso sabendo que a autoridade das Escrituras era de maior valor do que sua reputação ou conforto. Lutero disse certa vez: “Eu segurei muitas coisas em minhas mãos e perdi todas; mas tudo o que coloquei nas mãos de Deus, isso ainda possuo”.

Mesmo em minha vida comum, seguir a Cristo requer sacrifício. Eu aprecio este lembrete de que quando eu coloco minhas preferências no altar e pego minha cruz para seguir a Jesus (Mateus 16:24), minha segurança final está nele.

Como os alemães não tinham uma tradução acessível da Bíblia em seu idioma, eles dependiam da Igreja Católica para educação e ensino religioso. A igreja ensinava que somente os padres podiam ler e interpretar corretamente as Escrituras, mas Lutero argumentou que toda pessoa pode receber fé e entendimento de Deus. Ele passou muitos de seus últimos anos elaborando uma tradução da Bíblia do Novo Testamento no vernáculo alemão, tornando o texto transformador e autoritário das Escrituras disponível para as pessoas comuns.

Nas igrejas de hoje, não devemos favorecer aos instruídos, ricos e considerados mais bonitos, como se esses indicadores de sucesso sociais indicassem força espiritual. O Espírito Santo reside em cada crente e, por meio dele, temos acesso a Deus. Dons espirituais são derramados sobre todos aqueles que colocam sua fé em Cristo.

Ao longo de diferentes gerações, os desafios à autoridade bíblica variam, mas a resposta correta permanece a mesma. Os cristãos devem depender da revelação de Deus nas Escrituras como mais verdadeira do que a visão de qualquer líder da igreja ou o credo do sistema político. Eles também devem rejeitar a tentação de valorizar outros meios de descoberta espiritual como mais importantes do que a Bíblia.

Lutero disse: “Desde o início de minha Reforma, pedi a Deus que não me enviasse nem sonhos, nem visões, nem anjos, mas que me desse o entendimento correto de Sua Palavra, as Sagradas Escrituras; pois enquanto eu tiver a Palavra de Deus, sei que estou andando em Seu caminho e que não cairei em nenhum erro ou engano”.

Na cultura de hoje, é fácil para os cristãos sentirem que o mundo incrédulo nunca pode ser persuadido pela Bíblia, e que devemos encontrar maneiras novas e atrativas de alcançar pessoas para Jesus. Mas essas abordagens descartam a ferramenta que melhor convence do pecado, revela a glória de Deus e ensina o evangelho. Como a Reforma e o restante da história cristã mostram, a Bíblia é nossa fonte insubstituível de verdade, com o poder de mudar tanto os corações individuais quanto o mundo.

Referências

“Renaissance and Reformation.” (Renascença e Reforma ) William R. Estep, 1986

“Western Civilization: Ideas, Politics, and Society.” (Civilização Ocidental: Ideias, Política e Sociedade) Marvin Perry et al., 2013

Originalmente publicado no @ymi_today, que faz parte de Ministérios Pão Diário, em inglês. Traduzido e republicado com permissão. Escrito por Abigail Ellington, EUA